Comida, Divagações

Superalimentos.

Se você for bem a fundo nas plantas, flores, frutas, raízes e numa infinidade de outras coisas, vai começar a reparar que a maioria das coisas… fazem muito bem pra muita coisa. Umas mais, outras menos. Mas a maioria dos alimentos que conhecemos – e alguns que nem conhecemos direito – faz sim, bem pra alguma coisa. Estamos falando de ingredientes naturais, obviamente, sejam eles do mundo vegetal, animal, mineral.

Mas dá uma preguiça grande de ficar pesquisando e se aprofundando nesse tipo de assunto, então é muito mais fácil sair por aí reproduzindo as modinhas do momento. E esquecendo, por exemplo, de priorizar os alimentos frescos, naturais, sazonais, locais e orgânicos em detrimento dos alimentos da “vez”. A bem verdade é que a maioria massiva dos ingredientes naturais, não processados e orgânicos… vão te fazer bem e vão ter uma lista enorme de benefícios, prevenindo, curando doenças, equilibrando, trazendo nutrição e bem estar. E sim, sendo de quebra muito gostosos.

Obviamente, existem alimentos mais e menos interessantes. Mas novamente, temos que analisar o contexto. A individualidade de cada um, os fatores sociais, culturais, sazonais, e sim, até sentimentais.

Acredite ou não, a lista dos alimentos que fazem-assim-muito-bem-pra-saúde é enorme. Não dá pra ficar endeusando alguns alimentos e transformando eles na cura para todos os males.

Da mesma maneira, quem tem o mínimo de curiosidade sobre alimentação saudável sabe que no fundo não tem muito segredo: é apostar em alimentos naturais, não processados, e abusar dos vegetais, legumes, verduras como base da alimentação. Comer menos proteína animal pelo bem do planeta, comer menos alimentos refinados e super processados, comer menos carboidratos. Aliás, comer menos. Fazer sua própria comida, ou pelo menos tentar. Procurar produtos orgânicos, de pequena produção, de produção local, comer a tal da “comida de verdade”, que agora todo mundo fala.

Ironicamente conhecemos mais comida que não é de verdade do que comida de verdade mesmo. E não se iludam. Nem tudo que é fit, free de algo ou funcional é mesmo comida de verdade – tem muito alimento industrializado que se utiliza desse marketing.

Confesso, desde meus áureos tempos de nutricionista frustrada ( sim, foi minha primeira faculdade, e hoje eu vejo como eu não estava tão errada em achar que tava tudo muito torto no que me ensinavam ) que vejo a alimentação se tornar cada vez um ato mais distante do comer em si.

Ok, temos que entender mais os alimentos? Temos. Mas até que ponto é realmente útil ficar esmiuçando “micronutrientes” e fazendo ingredientes alçarem fama, se o básico da coisa não está sendo levado em conta?

É só andar pela internet pra ver a enxurrada de coisa escrita sobre nutrientes e benefícios de um ou outro alimento. Isso quando não vira sensação da vez. A maca, pobre maca, sempre usada mas agora em “extinção” nos países de origem por conta dos compradores asiáticos. O Matcha, bom e velho Matcha, usado a milênios e agora presente em todas as cartas de cafés hipsters por aí ( ninguém mais fala em chá verde, já repararam?). As tâmaras! Jesus amado, agora só se faz sobremesa com elas. As castanhas, nem digo nada.

E olha que tudo isso aí em cima são alimentos deliciosos, saudáveis e que todo mundo deveria comer. Mas e os chuchus, as cenouras, os mangaritos, a cebola, o tomatinho, a couve flor…? Não é porque você não tem cavolo nero ou kale Crespo na sua saladinha que você vai deixar de comer couve ou ser menos saudável.

A comida passou a ser um produto alimentício. Ponto. E até mesmo o mercado das comidas “saudáveis”, “fit” e ( arghhh ) funcionais entra na roda do marketing e das histerias coletivas de modinha. Já foi a onda do light, do diet, do integral.

Mas propaganda de brócolis ninguém faz. Post com # brócolis ninguém faz. Fotinho de top na academia, comendo brócolis ninguém tira. Brócolis não te deixa com cara de antenado e nem faz com que você se sinta na vanguarda alimentícia. Ahn? Jesus.

De que adianta saber que a betaína pode te auxiliar nos exercícios físicos se você perdeu o tesão em comer uma beterraba crua? Ou então, nem sabe como essa beterraba sai da terra, como são suas folhas, em que época ela dá, qual o seu sabor.

12/1/2022
Comente Compartilhe
×
Contato

Rua Professor Atilio Inocenti, 811,
Vila Nova Conceição, São Paulo

Telefone:
11. 3846-0384

WhatsApp:
11. 95085-0448

Não aceitamos cheque - Recomendamos reservas antecipadas - Mesas acima de 6 pessoas somente com reserva prévia de menu