Divagações

Os malditos 3 quilos.

Ok, minha alimentação é exemplar, faço exércitos físicos todo dia, besunto o corpinho com óleo toda semana na massagem, vou dormir cheirando lavanda pois é bom pro sono e acordo cheirando alecrim pois é bom pra acordar, corro meus seis quilômetros – meio capengas – dia sim dia não, comecei no yoga alguns meses, faço pregações semi fanáticas sobre comida e vinho natural …… mas como toda mulher no mundo – e jogue a primeira pedra quem nunca – me olho no espelho e aqueles malditos 3 quilos estão lá, sorridentes e espaçosos,  só pra tirar meu bom humor matinal e toda a elevação espiritual que eu julgava ter como ser humano.

Pois é. Sou mais parte do sistema que eu gostaria, e ainda me incomodo com coisas bestas como, por exemplo, esses 3 quilos. Ok, seremos francos, nos últimos dois anos não foram 3, foram 4. Mas o número 3 é mais dramático no discurso, então manteremos em 3 mesmo. 

O problema é bem mais antigo. Já nasci gulosa, um bebezão de quatro quilos e lá vai coisa, parecendo que tinha já nascido a mais de mês. Tudo bem que todo o tamanho que vim ao mundo não serviu pra muita coisa, pois empaquei nos 14 anos nos 1.58m e fiquei aí desde sempre. Nasci na hora do almoço, as 11h57, interrompendo um filé de frango que meu pai tentava comer no restaurante do hospital – nem devia estar tão bom, nem devia ser frango criado solto, então valeu a interrupção. Desde então, meio que vivi comendo. Fui um bebê ao melhor estilo bonequinho michelin e cresci uma criança gordinha e comilona.  O negócio é que continuo sendo a criança gordinha e comilona na minha cabeça – e nem cabeças e nem homens mudam, portanto, melhor desistir. Mas tenho que admitir que tirando alguns parâmetros estéticos racionamente bem discutíveis, tenho hoje um corpinho dos mais funcionais, ali bem dentro do IMC saudável, desempenhando todos os seus papéis com desenvoltura e até com certa maestria. Exames dizem que tenho dez aninhos a menos que minha idade biológica ( será que dá pra colocar isso no rg? ).

Meu problema não é comer mal. Entendam. É comer muito. Não me coloque um pote de castanhas do Pará na minha frente – ele vai desaparecer como pipoca doce na mão de um menininho. As castanhas frescas do Pará que eu trouxe ( do Pará, mesmo ) na última viagem, tive que colocar no freezer para tentar eu mesma tirar do meu alcance. Mas que nada, descobri que mastigar elas congeladas é também uma delícia. Ferrou. E lá se foram os saquinhos que trouxe na esperança de durar seis meses. Moral? Não posso ter castanhas em casa. Nunca.

Polpa de coco? Nem brinca. Ou eu quebro o coco e já faço leite sem dar espaço pra bobeira, eu então quando eu vi já comi o coco inteiro – sou daquelas que mastiga até o maxilar ficar doendo, e só para quando está um estágio antes da cãibra. E não pensem que é de uma vez só,  não. Eu me engano e finjo que vou pegar só um pedacinho por dia – mas quando eu vejo, foram os 15 pedacinhos ao longo de todas as vezes eu passei pela geladeira. Haja conta de luz pra tanto abre e fecha. 

Casca de batata doce assada? Pergunte pros meus cozinheiros na Enoteca : eles agora, sabiamente, estão escondendo elas de mim. Pois quando começo a comer, não consigo parar mais. Cada comanda cantada na cozinha, duas cascas de batata doce a menos no mis en place. Reza a lenda que tiveram até que aumentar o pedido de batatas doce do restaurante para dar vazão às cascas roubadas.

Isso pois dei só dois exemplos. Mas tem os ovos. Cacau. Mandioca. Canjiquinha. Vinho. Manteiga. Leite de cabra. Brócolis refogado com alho – brócolis sempre foi minha tara. E a minha rainha dos descontroles, a cenoura crua – posso comer uma dúzia de cenouras cruas numa noite de trabalho, juro. Quem nunca me viu andando pelo salão da enoteca com uma cenoura na mão não prestou atenção direito.

Por aí vai. Vivo no dilema entre o prazer supremo de comer e o prazer supremo de olhar aquela foto e não se ver com braços de polenteira ou o malfadado papinho: e sim, o que separam esse dois prazeres tão antagônicos mas igualmente gloriosos são os exatos três quilos. 

Hoje é segunda feira. Dia internacional de focar na dieta, de não furar a aula de yoga, de comprar um bicicleta ( já imprimi o boleto hoje). Já tirei todas as castanhas da casa ( mentira, comi ), dei todo o pão que sobrou do almoço de ontem pra Dona Ana ( dei mesmo! ) e vou fazer uma mandinga braba pra afastar as cascas de batata doce e as cenouras desse corpo que não as pertence. Tentarei – prometo – não tentar comer um abacate inteiro de uma vez na colherada ou uma panela inteira de brócolis refogadinho no azeite e alho. Tentarei também não jejuar o dia inteiro, se achar a rainha do controle mental e depois parecer o Godzilla atacando a geladeira do restaurante em busca de mais um leguminho assado.

De qualquer maneira, nada está perdido. Embora tenha me empanturrado no almoço de Domingo com muito peixe, banana da terra e mandioca fermentada, vou fiquei só no chazinho pelo jantar e ainda consegui resistir bravamente ao bolo de cacau orgânico que uma amiga minha me trouxe.

Mentira. Comi uma fatia………………….. mentira.

Comi duas. E ahhhhhh! Ah…. como estava boooooooom. Mas essa semana juro que me controlo.

24/10/2016
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