Comida

Ovos orgânicos, caipiras e de granja…..

Eu sou absolutamente tarada por ovo. Frito, cru, cozido, poché. Fora os benefícios para o corpitcho e cabeça: o ovo tem uma substância chamada colina, que além de fazer bem para o sistema cardiovascular ( é, depois de tempos no limbo dos proibidões, descobriram que o ovo faz bem ), é importante para o transporte de nutrientes, para o fígado, e ainda ajuda prevenir doenças degenerativas como o mal de Alzheimer. Dá uma força extra para os olhos, pois tem vitamina A e antioxidantes como a xantina e a luteína. Aliás, de vitaminas, tem o alfabeto: A, B, D. 

O ovo também tem colesterol sim,  mas lembre-se que o colesterol é precursor dos famosos e importantes hormônios esteróides, dos ácidos biliares e da vitamina D, além de constituinte das membranas celulares. Ou seja, você precisa dele também. A recomendação diária de consumo é de 300mg por dia. Um ovo tem cerca de 200mg – então ok, se você já tem colesterol alto, pode até maneirar o consumo. Mas uma pessoa que tenha o colesterol normal pode comer um ovo por dia sem o menor problema. 
Lindo, não? Ma o meno. 
Sabe esse ovo delicioso e saudável que estamos falando? Pois é, provavelmente ele vem de galinhas que tem seus bicos arrancados para poderem produzir mais. Num sistema convencional de produção de ovos, as galinhas ficam em gaiolas onde não podem levantar ou abrir as asas. Com o stress do confinamento, desenvolvem um comportamento de canibalismo, e começam a se bicar e tentar bicar as vizinhas. Daí cortam o bico com ferro quente para que elas não se matem ou machuquem. Sem o bico, elas também não conseguem selecionar os grãos que comem, então comem tudo que lhe dão: que na maioria massiva é uma ração composta de visceras e restos não comestíveis de abatedouros bovinos e suínos, além de grãos de baixo custo, obviamente transgênicos. Confinadas, as galinhas podem perder massa óssea e morrer. O confinamento, a alimentação forçada ( galinha não come restos de boi nem porco, na natureza ), a vida sem os comportamentos naturais da espécie, os hormônios de crescimento, a super produção de ovos ( cerca de 3 vezes mais que uma galinha “normal”)  e a retirada do bico com ferro quente aumentam a incidência de doenças nas penosas drásticamente. Daí, dá-lhe antibiótico. Muita gente também não apaga as luzes dos galpões, pois assim as galinhas não dormem – ou dormem menos – e a produção de ovos é mais rápida. 
A produção confinada  foi proibida em todo o território da União Europeia em 2012. Michigan, Ohio e Califórnia já tem leis para restringir o confinamento No Brasil, mais de 70 milhões de galinhas poedeiras são confinadas em gaiolas.
Deu nojo de comer seu omelete? É, normal. Mesmo sabendo que nutricionalmente os ovos de granja são similares aos caipiras, muita gente não se lembra de como esse ovo foi feito. 
Ah sim. Não termina pour aí. Pelas condições insalubres em que são criadas as galinhas, a chance de elas terem salmonella ( a temida bactéria da galera que gosta de ovo mole, pois ela só morre acima dos 70 graus ) é bem maior. Cerca de 6 vezes mais que uma galinha orgânica.  Um estudo do governo britânico descobriu que 23% das galinhas criadas em confinamento davam resultado positivo para salmonela. E só deu positivo para 4% em galinhas orgânicas e 6,5% em galinhas caipiras. 
Falando em qualidade nutricional, os ovos enriquecidos com ômega 3 e otras cositas más são uma puta história pra boi dormir. Eles dão ração enriquecida com determinada coisa, e isso vai pro ovo ( já vi até gema verde de galinha que comia couve… Rss ). Mas a quantidade que você vai ter que comer de ovos para se beneficiar do ômega 3, por exemplo, geralmente excede em muito a quantidade de ovos recomendada por dia. Ou seja, engana trouxa na cara dura. 
Agora vamos às boas notícias: embora a maioria dos ovos produzidos e consumidos sejam de granja ( se chamam assim, mas são as galinhas de criação convencional, confinada em gaiolas ), existe a minoria dos ovos chamados caipiras e também os ovos orgânicos. Ambos deixam as galinhas soltas, não administram hormônios e a comida ( além do que elas ciscam) é puramente vegetal, baseada em grãos. Ciscar e fazer ninhos, que é comportamento normal das galinhas, é preservado. Assim como dormir quando o sol se põe e acordar quando amanhece – mesmo quando existem poleiros com luz artificial, ela pode ser apagada gradativamente para simular o entardecer. Antibióticos só em caso de doença, e não de prevenção ( como fazem os convencionais ) onde a galinha é retirada do grupo e só retorna depois de curada e de alguns ovos postos ( para não ter risco do antibiótico passar para o ovo ). A grande diferença entre os ovos caipira e os orgânicos é a alimentação das galinhas: as galinhas orgânicas só comem alimentos de origem vegetal organicos, além do que ciscam. Às galinhas caipiras não necessariamente – e daí tem muita galinha solta criada com grãos transgênicos e alimentos vegetais com resíduos de pesticidas. As galinhas orgânicas também são tratadas com homeopatia e preparados de plantas medicinais, em caso de doença. 
A alimentação da galinha vai fazer total diferença na qualidade nutricional do ovo: um ovo de galinha orgânico tem cerca de 40% a mais de vitamina A,  33% a menos de coleterol, 25% a menos de gordura saturada, 2 vezes mais Ômega 3, 7 vezes mais betacaroteno e 3 vezes mais vitamina E – comparando com um ovo de galinha de granja criada confinada (fonte: Departamento de Agricultura dos EUA – USDA). 
Em tempo: a cor da casca não tem nada a ver com o pato – quer dizer, galinha: ovo vermelho não é sinal de ovo caipira nem orgânico. É só uma raça diferente de galinha. Penas brancas, ovos brancos. Penas marrons, ovo marrom. Agora a cor da gema sim. Geralmente os ovos caipiras e orgânicos tem a gema bem mais amarela, quase laranja. E os ovos convencionais tem a gema amarela clara. 
14/6/2015
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