Divagações

Receita passo à passo: Puchero!

Eu levei anos – literalmente anos, isso não é uma expressão – para descobrir que uma das receitas que eu mais gostava nas noite de inverno lá de casa se chamava “puchero”. Pra mim e para meus pais, era grão de bico ensopado… rs 

Só fui ligar uma coisa à outra quando comecei, de fato, a “estudar” comida. Pelo nome e sobrenome, saber os países de origem, e por aí vai. Imaginem, o chucrute em casa era ” repolho refogado com vinagre”… rs…. nada mais normal, afinal, somos pessoas normais.

A questão é que depois de perguntar, descobri que essa receita que minha mãe fazia ( com maestria, como todas as mães fazem ) veio do meu pai… que veio da minha avó…. que veio da minha bisavó, Dona Luiza Rojo, muito prazer, galega e espanhola.

Engraçado como a gente acaba crescendo e consumindo uma cultura gastronômica sem às vezes ter a mínima idéia do que ela é ou do que representa. De novo, o que é normal, pois é assim mesmo que um povo “adquire” uma cultura ou um costume.

Muitas das coisas que eu sempre comi quando criança eu fui descobrir depois que eram receitas trazidas pelos meus avós ou bisavós de outros países. Como o puchero da minha bisa espanhola ou o chucrute da minha bisa eslovena ( como ela fugiu da perseguição judaica e perdeu a documentação com 4 anos, na verdade ninguém sabe da onde ela veio….se foi da chechenia, eslovenia, polonia… mas sabemos que foi de algum lugar ali do leste! O nariz da família confirma! rs).

Mas voltando ao Puchero….

… depois que eu descobri que aquele ensopadão de legumes, carne, linguiça e grão de bico era na verdade uma receita da minha bisa, que ela tinha trazido da Espanha, confesso que comecei a encarar essas receitas de família com um olhar mais atento.

O Puchero é aquele tipo de prato que hoje as pessoas chamam de “confort food”. Eu prefiro não usar o termo em inglês pois acho super piegas. Prefiro chamar de comida mamãe. Comida de casa. Ou qualquer coisa do gênero. É aquele tipo de prato que restaura as energias, que acalma os corações e que alimenta a alma. Você se sente cuidado por um puchero, aninhado. Todo mundo devia comer um puchero quando leva um pé na bunda, quando briga com alguém, está de mal com a vida… ou quando está aquele friozinho gostoso num domingo chuvoso, e você tem tempo de preparar uma refeião com carinho.

Sim, tempo. Pois como todas as receitas de “antigamente”, ela demora. Mas isso é que faz com que seja ainda mais charmoso. Adoro esse tipo de comida que você prepara de um dia para o outro. 

Mas vamos deixar de conversa e vamos para a receita.

Ah sim. Puchero é igual mãe. Cada um tem o seu. Ou seja, não quero ninguém dando pitaco na minha receita, pois foi assim que eu aprendi, que eu comi, e que eu vou continuar fazendo! rsss…

Ingredientes:
– 2 abobrinhas médias cortadas em cubinhos
– 2 cenouras médias cortadas em rodelas
– 4 tomates cortados em cubinhos
– 1 linguiça defumada grande cortada em rodalas fininhas
– 2 cebolas grandes cortadas em meia lua
– alho à gosto… eu gosto de muito, então, coloco uns 6 dentes
– alecrim, louro, páprica picante, sal, pimenta do reino
– 400g de músculo cortado em cubos grandes
– 4 batatas médias ou 3 batatas bem fornidas, cortadas em cubinhos
– 150g de ervilha bolinha
– azeite
– 400g de grão de  já de molho durante a noite ou pré-cozido.


Modo de Preparo:


1. Refogue o alho e a cebola em azeite, fogo baixo. Até murchar. Foto 1.
2. Acrescente a linguiça e a carne cortadinhas para selar. Pode deixar bem queimadinho, pois é esse caramelado da carne que vai fazer tooooda a diferença no gosto final do seu puchero. É quem nem paella: tem que deixar queimar um pouquinho pra ficar gostoso. Foto 3.
3. Depois das carnes bem refogadas, acrescente o tomate. Espere ele refogar e soltar líquido. Esse líquido vai desprender o “queimadinho” da carne no fundo da panela e formar um caldo vermelho e suculento. Coloque um tico de páprica picante, sal, pimenta, alexcrim e folhas de louro. Foto 4.
4. Acrescente o grão de bico. Pelamordedeus, não coloque o grão de bico seco ou sem cozinhar antes. Senão você vai esperar 15 horas pra ver seu puchero terminado. Deixe ele de molho na água durante uma noite inteira ou então deixe ele cozinhando em panela de pressão durante meia hora. Foto 5.
5. Acrescente água até cobrir todos os ingredientes. Foto 6.
6. Deixe cozinhar até o grão de bico ficar “meio” cozido, mas ainda durinho.
7. Acrescente os legumes. Foto 7.
8. Acrescente mais água e vá acrescentando durante todo o cozimento. Fogo baixo e panela quase tampada, até que o grão de bico fique macio e os legumes quase “esfarelem” na panela. O caldo do puchero vai ficar grosso, guloso, saboroso e levanta até defunto.
9. Ajuste o sal, a pimenta… e pronto!

29/1/2013
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