Divagações

VALE A PENA BEBER: DINAVOLO DI GIULIO ARMANI

 
Como em todas as feiras, provamos vinhos bons, ruins,
médios…. e os espetaculares. Para mim, a definição de espetacular esta bem
longe de pontuação, fama ou “perfeição”. Para mim, os vinhos espetaculares são
aqueles que me surpreendem pela qualidade, pela autenticidade, pela sinceridade
e claro, pelo quesito “surpresa”. Adoro ser surpreendida, principalmente quando
se trata de vinhos.
Um dos primeiros vinhos que nos arrebatou do chão foi –
pasmem- não um vinho frances, mas sim, um italiano. Experimentamos dois vinhos:
Dinavolo e Dinavolino, ambos de Giulio Armani ( não poderia ser mais italiano,
não? ), enólogo extremamente habilidoso e simpaticíssimo.
 
A vinícola surgiu em 2005, fica na Emilia Romana, não utiliza sulfitos nem
leveduras selecionadas, e os vinhos são todos submetidos a macerações
extremamente longas ( como eles mesmo disseram, eles fazem a maceracao com as cascas no vinho branco como se fosse uma maceracao de vinho tinto), sem trasfega ou filtração. A variedades utilizadas são a
Malvasia di Candia, a Ortrugo, a Marsanne e outras autocnones da região. Eles
ficam cerca de 500m acima do nível do mar e o solo é extremamente calcário.
Giulio é um italiano típico. Moreno, bem vestido, sotaque característico.
De inicio você acha que ele não foi com a sua cara, mas depois de duas
palavras, se torna melhor amigo. Ele tem um jeito muito centrado, que da a dica
de como os vinhos são. Ele sabe o que esta fazendo, essa é a verdade.
 
Os dois vinhos brancos que provamos foram um ardido tapa na
cara logo de inicio. Tinham aquele toque dos vinhos naturais característicos,
somada a uma deliciosa nuance oxidada, que sempre fez minha cabeça nos vinhos
brancos.
O Dinavolino é um corte de 25% Malvasia, 25% ortrugo, 25%
marsanne e o resto…. bom, o resto nem eles mesmos sabem. São uvas autóctones
de vinhedos de mais de 28 anos de idade. A fermentação é feita com as cascas
durante duas semanas, e nada, mais nadinha de So2 é adicionado.
 
O outro vinho, Dinavolo , que foi meu preferido, segue as
mesmas caracteristicas. Porem, fermenta cerca de 3 semanas com as cascas, e
depois passa por estagio em barrica por 3 meses. Barrica usada e antiga,
obviamente. E nenhuma gota de sulfito.
Alias a melhor definição sobre o sulfito foi do querido
Lorenzo, da bodega Barranco Oscuro: “ Sulfito? Para que sulfito? O que faz com
que o vinho se conserve não é o sulfito, mas sim, o equilíbrio, sem exceção, de
todos os seus componentes”. Pois é. Falou e disse. Uma pessoa equilibrada vive
mais. Um vinho também. Parece obvio dizendo assim, não?
Confesso que depois da degustação formal, pedi uma taca do
Dinavolo para beber, mesmo. Beber de golada. Era um vinho delicioso, dourado,
denso, que fincava os seus pés na terra e fazia com que você agradecesse a deus
pela uva e pelo vinho. 
Quem nos ciceroneou na degustação ( afinal, desculpem…..
eu sei que é uma lastima, mas não falo nada de italiano…. ), foi a Fanny, que
trabalha com os vinhos do Giulio e é uma entusiasta dos vinhos naturais. Fanny é
parisiense e tem uma família linda: conhecemos o marido e os três filhos
loirinhos e branquinhos dela. Uns amores.
 
Para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho do Giulio,
recomendo dar uma procurada no santo Google. Como um bom natureba, ele não é muito
chegado no marketing ou em internet. Mas da para encontrar algumas boas citações
pela rede. Fizemos um pequeno video da Fanny falando sobre os vinhos: 
A noticia ruim é que ele, assim como muitos dos vinhos
naturais por ai, ainda não esta no Brasil. A boa noticia é que ano que vem, se
os deuses da importação forem bondosos comigo, vou tentar trazer essa maravilha
pra ca. Algumas caixinhas, so para ter na Enoteca.

 

E eu? 
Bom, claro que eu trouxe uma garrafa dele na mala. O
Denavolo esta la, guardadinho na minha adega, esperando misteriosamente que o
tempo lhe acalme da viagem.
E por falar em viagem, Giulio que me aguarde, pois na minha próxima
ida para a Itália, vou ate la encher o saco dele e tentar ver in loco esse
milagre que ele faz com as uvas.
Saúde!
E três urras para o Giulio!
16/12/2011
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