Viagens

Oitavo dia: Isla Mujeres

 Isla
Mujeres. Hm. Então. Achar uma barraquinha na rua de manga com pimenta
foi ótimo. A travessia da valsa com o ventinho no rosto, por do sol é um
senhorzinhos tocando bolero ao vivo ( tava semi brega, mas eu gosto de
bolero, fazer o que ), tava ótimo. 

Mããs….. não.

Ontem quando chegamos em Cancun ( tínhamos que voltar pois a Lena embarcava hoje as seis da manhã ) ficamos com preguiça de ficar
na cidade justamente pra não participar da muvuca praiana e tivemos a
“brilhante” ideia de jirico de pegar a balsa pra Isla Mujeres.

Pode ser que eu tenha tido muito azar. Pode ser que eu simplesmente não
tenha encontrado o que fazer de legal lá, mas tenha. Pode ser até que
ontem todo mundo tenha resolvido ir pra ilha e aquilo virou um enorme
amontoado de gente semi claustrofóbico. Pode ser até depressão de fim de
viagem.

Mas se fossem me perguntar sobre ir ou não ir, só
teria uma coisa pra falar: pelamordedeus, não. Tanto lugar mais gostoso
aqui por perto. Não. Mil vezes não.

  

Não
tive muita sorte com vinho aqui no México não. A história meio que se
repete, como no Braza: os argentinos e chilenos chegam aqui bem mais
baratos, os mexicanos não tem tradição de beber vinho mexicano, o
mercado é dominado pelas grandes marcas, os vinhos tem um sério problema
de identidade e a maioria mais do que massiva são convencionais e
totalmente comerciais. Vinho em taca? Chileno e argentino. Mexicano quase nunca.

Não tive tempo de fuçar como eu gostaria – na verdade nem era essa a
ideia, mas não consegui tomar nenhum vinho que fosse, no mínimo,
orgânico pelos lugares que eu fui.

Experimentei sim algumas
coisas, mas tudo convencional ( sulfito bombandooooo ) e sem maiores
emoções. Então nem me dei ao trabalho de postar.

 

Parece que tem
sim alguns orgânicos e mesmo biodinâmicos, mas não consegui achar.
Amanhã vou em uma loja de vinhos em Cancun, antes de ir pra minha última
parada, Puerto Morelos ( quem tiver dicas de lá me avise ).

Vinho natural, nem pensar. O único cara que está fazendo vinho natural
por aqui é o doido do Louis Antoine, da Clos Ouvert. Pois é, ele
resolveu fazer vinho no México. Não vejo a hora de experimentar. O mundo
seria melhor com mais loucos como ele….

Na taça, um italiano
“sustentável”, uma das melhores opções que achei pra me despedir ontem
de HolBox, e descansar o corpinho das incansáveis doses de rum e mescal. 

Bolinhas de tamarindo com mel, sal e pimenta! Combinação estranha? Nem tanto.

Comprei de uma senhorinha na saída do Porto de HolBox, ontem ( tudo
acontece em HolBox…… Rs ), e ela me explicou que essa é uma
combinação antiquíssima, provavelmente herança Maia, pois eles já
consumiam e plantavam muito tamarindo. Eram apicultores, então também
tinham muito mel. O sal era moeda de troca com algumas
outras culturas, então provavelmente também usavam sal. E a pimenta…
Sem comentários, né. Aqui é a terra da pimenta, se usa desde sempre. Se
tirar a pimenta e o milho daqui boa parte da cultura gastronômica vai
por água abaixo.

Não é uma fruta nativa americana – na verdade é
africana, mas deve ter parado aqui de alguma maneira, talvez com a
migração de algum povo pra cá. A península de Yucatán teve uma forte
migração libanesa já no século XX – então talvez ela tenha vindo junto
com os libaneses, e não tenha sido só influência maia nesse assunto.
Aliás, boa parte da cozinha da península de Yucatán, no México, flutua
entre as influências maias e as espanholas.

Frutinha pra lá de
saudável. Cascuda, semente grande, tem gente que acha muito azedo. Eu
adoro. Poço de vitaminas, o tamarindo é também anti inflamatório e
antioxidante poderoso. Ótimo pra digestão e pro fígado, pois estimula o
bom funcionamento biliar e os sucos gástricos.

Tem potássio,
muita vitamina C, ferro, tiamina e até alguns compostos responsáveis por
controlar o apetite e ajudar na pesa de peso. Indicado pra controlar a
pressão, o diabetes, o colesterol, melhorar o sistema nervoso e
muscular.

Aqui, vi em várias versões. Em copinhos, nos botecos,
pra se comer com cerveja ou shot de tequila ou mescal. Em bolinhas, com
mel e pimenta. Em molhos dos mais diversos, e ahnnnn…. com cacau.
Provei um “chocolate” adoçado com mel e tamarindo ( cacau 100% ) que foi
top fueda da viagem. Um senhorzinho que não falava espanhol, só dialeto
Maia, e que estava vendendo essas barrinhas rústicas na rua. Queria
levar ele e todos os chocolates dele pra casa.  

 

Tipo a gente tem pipoca doce e coquinho no carrinho, eles têm manga com limão e chili!?

… por enquanto a única coisa de realmente interessante aqui na Isla Mujeres.  

 

No caminho entre HolBox e Cancun, um lanchinho rápido de beira de estrada: tamales assados em folha de bananeira.

Os tamales são os equivalentes à nossa pamonha. Base de milho, que pode
ser assada, cozida, no vapor. Pode ter recheio de frango, de carne,
mole, molhos picantes e até açúcar.

Aparentemente eram consumidos desde a época dos astecas, e os maias também tinham o costume de comê-los. Afinal,
tem milho, tem tamales. O nome vem daí, de “envolvido”, “embrulhado”, e
pode ser em folha de bananeira, em palha de milho, em folhas de
amendoeira. Depende da criatividade e também da região.

Esse
aqui era recheado com frango, tomate, cebola, tostadinho por fora e
cremoso por dentro. Dez pesos ( equivalente a uns 6 reais ), gigantesco,
matou a fominha da manhã e ainda veio com um molho de tomate e chili a
parte. Fenomenal.  

 



30/5/2016
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