Viagens

NATUREBAS DO CHILE: Louis-Antoine Luyt

Uf! Viemos pra Chillán, pra finalmente visitar Louis-Antoine Luyt. Quem que conhece sabe que sou fã de carteirinha dos vinhos dele, e essa visita já estava pra sair faz algum tempo. 

Conhecemos os vinhos dele em Paris, lá pelo ano de 2009. Estávamos em uma feira de vinho natural e acabamos indo para um bar a vin – o Coinstot Vino. O dono, Guillaume, nos deu um vinho para provar, que era muito diferente dos outros. Era natural, era fenomenal, mas não parecia francês. Pois é, era de “uns franceses doidos que estavam fazendo vinho natural no Chile”. Era o Clos Ouvert, o primeiro projeto de vinhos do Louis aqui no país, com outros amigos. 

Hoje, no projeto solo, continua surpreendendo que gosta de vinhos autênticos a cada garrafa. Muito mais que um vinhateiro, ele foi um dos grandes responsáveis por agora todo mundo falar da uva País e dos vinhos Pipeños. 

Louis Antoine apostou na uva antes que todos e foi na contramão do que se fazia no país. “Foi necessário um estrangeiro para nos mostrar o potencial da uva ” – nos disse outro amigo vinhateiro. 

O interessante de perceber no trabalho do Louis Antoine é a parte social e cultural queexiste por trás das garrafas. 

Defensor ferrenho da tradição vitivinícola do país, ele foi a primeira pessoa a levantar a bandeira da uva País e dos Pipeños. Mas muito além de uma tendência, ele faz isso na tentativa de promover a cultura dos antigos vinhateiros, dos “huasos” ( campesinos ) daqui. Faz para preservar a cultura das vinhas de País, do cultivo familiar, da vinificação tradicional local. 

Hectares e hectares de uvas País são arrancadas todos os anos para plantar pinheiros. Isso é só um dos exemplos. E o problema é que muita gente está fazendo, falando e bebendo uva País sem a menor consciência de preservação da cultura e das vinhas. Não adianta colocar o nome de uma uva no rótulo se isso não representa uma ação direta no campo. 

Esse vinho de Tinaja, por exemplo, é um que ele só engarrafa: quem faz é um campesino, com uva País, em suas Tinajas, como sempre fez, de maneira natural. E é simplesmente excepcional. 

Almoço com o pessoal da vindima. Franceses, espanhóis, chilenos da equipe desse ano, que ajudam Louis a fazer os vinhos. 

Louis Antoine não tem vinhas próprias – ele compra dos pequenos produtores locais, para promover a preservação dessa agricultura e das vinhas. E faz questão de pagar bem pelas uvas, pois é uma maneira de valorizar e de incentivar o trabalho das pessoas no campo. 

Fermentação bombando aqui nos tanques! Esse é um Sauvignon Blanc que está fermentando já faz alguns dias. De brancos, provamos os Sauvignon Blancs do Louis-Antoine, que estão fenomenais; e os Moscatel de Alexandria. La Gorda Blanca é uma maceração curta de Moscatel e El Gordo Blanco é uma maceração longa. Fuedas. 

Difícil não ser redundante com os vinhos do Louis-Antoine. Tudo que já provei dele me deixa encantada. São fantásticos, agradáveis, sempre surpreendentes, não deixam ninguém sem uma opinião. Tem leveza, autenticidade, personalidade, caráter, tudo. Alguns mais “estranhos” aos paladares mais desprevenidos, outros mais amáveis. Todos de tirar o fôlego. 

No Brasil, quem importava era a World Wine, mas não importa mais. Ainda se podem encontrar alguns vinhos perdidos pelas cartas de vinho e no estoque da importadora, como o Clos Ouvert e o Huaso de Pilen Alto 2009 – safras, inclusive, que nem ele mais tem por aqui. 

Os meninos que ajudam a Louis-Antoine, fazendo a “sangria”. Não, essa sangria que você está imaginando, com frutas. 

Chama-se sangria quando você, depois das uvas prensadas e com a fermentação dando início ou já iniciada, retira parte do líquido e separa em outro tanque. 

O que restou no primeiro terá uma relação de líquido/cascas maior. Muita gente da isso para dar mais concentração pro vinho. É a outra parte, geralmente se fermenta para fazer um outro estilo de vinho. Dependendo de quantos dias ficou em contato com as cascas (macerando), esse líquido vai ser mais ou menos colorido e mais ou menos intenso no que as cascas aportam para o vinho.

Nesse caso, Louis-Antoine fará um pet nat, um petillant naturel, com o mosto sangrado. 

Corvina fresca do mercado e Huasa de Pilen Alto 2015. Precisa falar mais do almoço de ontem? Rs 

Falemos então do vinho. O Huasa de Pilen Alto é um País, mas não um Pipeño, pois não é um vinho jovem, pra ser bebido no ano. São vinhos feitos para maior guarda. Esse, um País de Pilen Alto, conheci com a safra 2009 ( que ainda guardo umas garrafas na Enoteca com o maior carinho ), e é aquele tipo de vinho ame ou odeie. Eu amo loucamente. Um defumado impressionante no nariz, uma rusticidade, uma crueza de salivar. 

Daí depois do almoço regado à vinho…. O Sábado de tarde foi também regado à vinho. Pinot, Franc, Pipeños. Pipeños no plural, pois Louis-Antoine está fazendo vinhos Pipeños de diferentes vinhedos, diferentes terroirs. Simplesmente deliciosos. 

Subindo no tanque de cimento pra fazer a pigeage da tarde ( abaixar o chapéu de cascas que sobem por causa da fermentação ). Aqui, eles fizeram com essas madeiras próprias para abaixar o chapéu. 

No tanque de tinto, entramos eu e o Rama pra fazer “à antiga”, entrando dentro do vinho e andando nele, com vinho na altura da barriga. Mas essa foto não dá pra mostrar. Usem a imaginação… Ahahhahah. Sim, isso mesmo. 

Pra quem nunca viu um tanque de maceração carbônica, aqui está um clássico.

Bom, pra início de conversa, um dos “pais” do Louis- Antoine no vinho foi nada mais nada menos que Marcel Lapierre. Então o cara aprendeu diretamente na fonte o domínio da carbônica. 

A carbônica é quando a fermentação ocorre dentro dos grãos, inteiros, sem que sejam amassados. Para isso acontecer, não pode ter oxigênio. Então se colocam as uvas num tanque, fechado, para que o gás carbônico resultante da fermentação sature o recipiente e não tenha haja de oxigênio. 

Embora deva ser bem empregada e muita gente tenha banalizado a técnica, quando bem feita é uma pitchula. Faz vinhos extremamente frutados e aromáticos, glouglou. 

Esse é um Pinot. 

6/4/2016
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