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CARAVANA NATUREBA: quinto dia, maratona com Eduardo Zenker, Maurício Voight, Jaime Fensterseifer, Lizete Vicari e Marina Santos.

 Quinto dia de Caravana Natureba! Matarona natureba, praticamente. 
Acordamos em Pinto! rss … e bora todo mundo pra Garibaldi, visitar o Eduardo Zenker. O roteiro desse dia estava puxado: Zenker, do Arte das Vinhas; encontro com o Maurício Voight ( Vinhos Serena ) e Jaime Fensterseifer ( Quinta da Canopa ) e depois todo mundo de volta pra Pinto Bandeira, pra Marina ( Vinha Unna ).
O Zenker vinifica seus vinhos de maneira natural, em sua garagem, em Garibaldi. É um “cruzador” de uvas, procurando uvas saudáveis pela Serra e vinificando cada uma de uma maneira diferente. Quando você chega na garagem, é um mixto de vinhos, garrafas e “alquimia”. Garrafinha pra cá, tanque pra lá, mil vinhos diferentes fermentando de mil maneiras diferentes. Rosés, claretes, espumantes ancestrais, tintos, laranjas… e até uma cerveja que ele também elabora. 
  
Pra quem já conhece ou já experimentou algum vinho dele, deve se lembrar dos memoráveis Bruta Bestia, Alma Penada, Suvaco de Anjo, Inusitado, Cárico, Pinoto, entre outros. O Zenker consegue mesclar uma irreverência e uma qualidade ímpares em seus vinhos. 

Ano passado provamos de tudo um pouco. Esse ano, de mais tudo um pouco. E fiquei impressionadíssima com o crescimento da qualidade e da profundidade dos seus vinhos –  sendo que já eram fantásticos.

Destaque para os laranjas e para os espumantes método ancestral que ele está fazendo. O demi sec ( espontâneo ) ancestral dele está com um quê de Champa de matar produtor francês do coração. O ancestral de Peverella, fino, fino, fino, elegante que só ele. Os laranjas são um susto – bom – à parte: complexos, gordos, vivos, aromáticos. O Sui Generis Brasilis Malvasia de Candia 2014, que vimos fermentando ano passado, está de chorar de emoção. Vai abalar corações por aí.

Olha a levedura já no gargalo, do espumante ancestral do Zenker! Esse aqui é o espumante de Peverella. 

Durante a manhã, chegaram o Maurício Voight e o Jaime Fensterseifer. 

O Maurício faz cultivo biodinâmico a mais de 10 anos em Nova Pádua, RS, na altitude de 750 metros. Recentemente começou a engarrafar seus vinhos, vinificando de maneira natural, os Pinot Noir Serena. Já se tornaram queridinhos dos nerds e aficcionados do vinho natureba brasileiro. São Pinots lindos, sensuais, delicados, encantadores. Uma pena que não deu tempo de visitar o vinhedo in loco, mas deu para bater um super papo com eles e conhecer um pouco mais do projeto e dos vinhos. 

Segundo o Maurício, o vinhedo fica num “topo de monte com 4% a 6% de declividade e face Norte-Noroeste,
protegido dos ventos frios provenientes do Sul por vegetação natural e,
ao Norte-Noroeste por um desnível de 500 metros ate a calha do Rio das
Antas, situação que drena excesso de umidade e minimiza riscos de
geadas, ao passo que nos proporciona entre 800 e 1000 horas de frio ao
ano, ideais ao cultivo de viníferas Pinot Noir. Nesta situação o período
de repouso das nossas videiras é longo, 4 meses do inicio de maio ao
final de agosto, e uma consequência é a segurança na obtenção de gemas
férteis, uvas com máxima expressão aromática, sanidade e senso de lugar.”

 

Sobre o vinho, “as uvas são então por nós mesmos pisadas, suavemente, 3
vezes ao dia nos primeiros três dias, ao cabo dos quais inicia-se
espontaneamente a fermentação alcoólica. No período de fermentação
turbulenta a massa de mosto e sólidos é gentil e manualmente mesclada
duas vezes ao dia e é durante este processo que aproveitamos para
subtrair os engaços que se liberam das bagas em fermentação. Finda a fermentação aparente,
entre 7 e 10 dias, a maceração adicional é adaptada a personalidade de
cada safra. Após, o vinho é decantado por gravidade e manualmente para
barricas de carvalho Frances da máxima qualidade. A proporção de
barricas novas é adaptada a personalidade de cada safra (30% em 2011,
nenhuma em 2012). Nas barricas o vinho vai realizar espontânea
fermentação malolatica, durante a qual “batonage” é semanalmente
aplicada. Não usamos trasfega, o vinho é maturado por 11 a 18 meses nas
barricas (18 meses em 2011, 11 meses em 2012), sobre as borras até seu
engarrafamento, sem clarificação ou filtração. Uma única correção do SO2
livre, para 25mg/l, é procedida previamente ao engarrafamento que
também é manual e por gravidade, em dias de flor.”

O Jaime também entrou no cultivo biodinâmico e está montando um projeto de espumantes biodinâmicos, o Quinta da Canopa, método tradicional e com o mínimo de intervenção possível, para que os espumantes possam expressar sua origem e terroir. O biodinamismo, a grosso modo, está baseada em solos vivos, biodiversidade, respeito aos ciclos naturais e equilíbrio do ambiente, da parreira e da fruta – que dará origem a um vinho também saudável e equilibrado. Segundo Jaime, o biodinamismo é uma alternativa sustentável para reverter a insustentabilidade do cultivo convencional da Serra Gaúcha. 

Aqui estão o Eduardo Zenker, a Lizete Vicari, o Maurício Voight e o Jaime Fensterseifer, num encontro pra lá de natureba.

Depois do almoço, demos um pulo na propriedade do Jaime, o Quinta da Canopa, pra degustar alguns de seus experimentos com os espumantes e conhecer os vinhedos biodinâmicos.

A primeira coisa muito interessante sobre os vinhedos biodinâmicos no Brasil é que, muito mais do que um selo ou um rótulo, o biodinamismo é um princípio. Ou seja, não é um modelo que dá para copiar e colar. Por isso muita pesquisa e muita prática tem que estar envolvida no processo. Exemplo? Os preparados biodinâmicos, como plantas, chás e cinzas usados como defensivos naturais. Temos que achar em nossa própria terra equivalentes que tenham os mesmo efeitos – ou até outros, diversos. Muito mais do que um recorte e cole, como eu disse, o biodinamismo como cultivo oferece uma gama enorme de possibilidades para a sustentabilidade ambiental nos vinhedos. 
Esse aqui é um Quartzo, no solo dos vinhedos do Quinta da Canopa. 

Experimentamos dois espumantes experimentais do Jaime: ele está ano a ano fazendo testes para chegar na “fórmula” ideal do seu espumante.

Já de noitinha, descambamos para Pinto Bandeira, para encontrar com a Marina Santos, do Vinha Unna. Ano passado acompanhamos a primeira vinificação da Marina ( emocionante! ) e pra variar um pouco, foi mais uma que se aconchegou no nosso coração natureba. Vinhos de vinificação natural, com uvas orgânicas, de pouquíssima produção – cerca de cento e poucas garrafas de cada uva, aproximadamente.

 Na Feira de Naturebas 2014, um dos sucessos foi o Cabernet Franc da Marina, pouco extraído, feito para ser um vinho leve, clarinho, delicado. Esse ano ela vai engarrafar alguns laranjas – como o Chardonnay, e um Cabernet Sauvignon que está matador.

A Marina é uma enóloga super estudiosa e vinhateira de mão cheia. Apaixonada pelo biodinamismo e pela vinificação natural, acredita piamente que esse é o caminho para os vinhos de qualidade brasileiros. Eu também assino embaixo – principalmente depois de tomar os vinhos de todo esse pessoal que está na mesma onda. Ela participa de projetos de implantação de vinhedos biodinâmicos no Rio Grande do Sul e está vinificando algumas castas italianas e georgianas. Mas eu conto mais detalhes sobre cada vinhateiro depois…. rss


2/3/2015
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