Divagações

Corona: saúde não é apenas não estar doente.

“Existe um ditado antigo que reza: solo sadio — planta sadia — homem sadio. Não existe planta sadia sem solo sadio. Em solos decadentes, doentes, somente podem crescer plantas doentes. E plantas doentes somente fornecem alimentos de valor biologicamente incompletos e inferiores.”. Ana Primavesi 


Existem coisas que deveríamos pensar e fazer todos os dias, mas sabemos que não é bem assim que a coisa acontece. Especificamente quando o assunto é contaminação viral, além de todas as medidas de prevenção que circulam por aí, existe algo completamente dentro de nosso alcance e que frequentemente esquecemos de fazer.

 

Nosso sistema imune está diretamente relacionado ao nosso estilo de vida, aos nossos pensamentos e atos, e obviamente, à nossa alimentação. Uma alimentação falha, proveniente de alimentos fracos e de cultivo debilitado, fará com que nosso organismo seja igual.

 

Sem meias palavras, podemos destruir ou construir um corpo saudável apenas com o que ingerimos no dia a dia. E é nessa fissura de um organismo e sistema imune fracos que os vírus tem sua vez. Precisamos de uma crise mundial na saúde pública para olhar para esse aspecto tão neglicenciado da nossa vida? Para lembrar que somos responsáveis pela nossa própria saúde, e boa parte dela é reflexo do nosso modo de viver e de comer? Obviamente que toda a discussão do coronavírus não se restringe somente à manter uma dieta saudável. Mas nos lembra de como falhamos, dia a dia, com nossos próprios corpos, nos mantendo num limite inaceitável de debilidade. Stress, cansaço, pensamentos e relações destrutivas, alimentação industrializada e deficiente, venenos no campo e na mesa, microbiota do solo e do corpo enfraquecidas, desleixo com o mais íntimo de nossos impulsos, que é o de permanecer saudável.  

Saúde não é apenas não estar doente. É acordar com entusiasmo pela vida e manter suas funções corpóreas e mentais intactas, sem falar das emocionais e espirituais, que no fundo, que juntas, fazem parte dessa coisa grandiosa que é a vida humana. Épocas de crise fazem as pessoas pensarem. No tranco. E talvez repensar nossos meios de produção, nossos meios de vida, a importância que damos para a vida urbana e o descaso com nossa própria saúde individual seja um começo para uma grande reflexão em conjunto. Os sistemas de saúde mundiais estão à beira de um colapso, e é quase impossível não pensar que na política, na sociedade, nas relações exteriores, nas relações interpessoais, na agricultura, no “sistema”….. “está tudo errado”.

 

Obviamente que sim, e não somos ingênuos.

 

Mas olhemos para nosso umbigo. Qual a nossa participação na nossa própria saúde? Do que eu me alimento? Eu sei a origem do que eu como? O que eu como ajuda o planeta e meu corpo a estarem mais saudáveis? Eu faço de minhas escolhas alimentares um ato de saúde, de política, de cultura e de consciência constantes? Garanto que a maioria de nós não. E ninguém tem força física ou política, mental ou espiritual, social ou individual, com o organismo debilitado. Comer é um ato politico. E nos manter saudáveis, com a imunidade alta o suficiente para enfrentar as interpéries da nossa própria existência, independente dos sistemas de saúde e de sociedades que colapsam, é um dever de nós para nós mesmos. 

 

Embora devêssemos ter em mente que um organismo saudável e forte não se constrói do dia para a noite, pois é resultado de um cotidiano de escolhas, existem algumas coisas que podemos fazer em épocas emergenciais, e que ajudam nosso sistema imune a se manter fortalecido. Tudo o que nos agride exige esforço de nosso sistema imune. Abusos de substâncias tóxicas como aditivos alimentares provenientes de alimentos industrializados, álcool em excesso, alimentos com alto poder alérgeno como os derivados do leite e trigo, açúcares e produtos refinados, e em alguns casos produtos de origem animal no geral. Noites mal dormidas, stress, cansaço, falta de exercícios físicos, falta de nutrientes provenientes do reino vegetal também nos debilita.

 

Se queremos fortalecer nosso sistema imune, devemos lembrar de algumas coisas: aumentar o aporte de vegetais, diminuir industrializados e aditivos em geral. Não existe corpo fortalecido sem fortalecer nossa própria microbiota, então temos que ingerir alimentos pró e pré-bióticos ( não precisa comprar pronto, é só consumir muitos vegetais e verduras, além de alguns alimentos fermentados, como por exemplo os vegetais com fermentação lática ),  aumentar exponencialmente o consumo de vegetais e verduras frescas na alimentação, diminuir ou cortar a alimentação refinada e industrializada, diminuir ou cortar produtos de origem animal, inserir alimentos com propriedades anti-virais e de reforço à imunidade: cúrcuma, por exemplo, que pode ser consumida diariamente. Gengibre também. Muita vitamina C proveniente de vegetais e de frutas como limão, laranja, acerola, açaí, vegetais verdes escuros. Ervas, todas as ervas, aromáticas e medicinais, cada dia uma diferente, para um aporte cavalar de nutrientes na dieta. Alho, alho em tudo. Alho cru, alho assado, alho de qualquer jeito. Óleo de copaíba, própolis. Exposição ao sol para manter os níveis de vitamina D em dia e atividades que mantenham seu stress baixo. Vale meditação, corrida, leitura, filme, cozinhar.

 

Em situações emergenciais, suplementação alimentar é extremamente válida, e o balanço correto de vitaminas, minerais e nutrientes pode fazer milagres com sua constituição: só não faça isso por conta própria, consulte um profissional, pois empresas de superfoods e comprimidos milagrosos costumam aparecer aos montes nessas épocas de crise.

 

Lembrem-se que nada supera uma alimentação de bases sólidas, completa, adequada à nosso organismo, com produtos naturais e de cultivo também saudável – afinal, temos que lembrar que alimentos debilitados vão construir corpos também debilitados. 

 

13/3/2020
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