Viagens

NATUREBAS DO CHILE: FELIPE URIBE, ANDES PLATEAU.

Eu
sei, eu sei, acabamos de voltar da Caravana faz um mês e já estamos na
estrada de novo. Mas estavamos enrolando para visitar nossos amigos
naturebas faz um ano, e como lá está em vindima ( e a passagem de avião
estava na promoção ), resolvemos dar um pulo nos naturebas de
depois da cordilheira.

Felipe Uribe, Cacique Maravilla, Renan
Cancino, Louis-Antoine Luyt, Elena Pantaleoni ( ahn?! Pois é, logo mais
conto as novidades ), Villalobos, Juan Ledesma, Tinto de Rulo e muitos
mais.

Vamos dia por dia pra não esquecer nada!

 

Revoltosa! Delicia de boas vindas aqui no Chile. Junto com uma carninha na brasa, claro.

Viemos direto para a casa do enólogo Felipe Uribe, que além de seu
projeto próprio, o Andes Plateau, faz consultorias para outras vinhas
por aqui.  Esse aqui é o primeiro vinho 100% Barbera no Chile.
Felipe Uribe fez esse vinho junto com a família que cultiva os vinhedos,
de Santiago Corrêa, e diz ele que as
vinhas são totalmente deixadas “ao léo”, só com um pouco de enxofre,
mais nada. Míldio, Oídio, todo mundo convive junto e mesmo assim as uvas
são espetaculares.

Com um mês e meio de maceração, é um
Barbera leve, frutado, ácido, de beber no gargalo. Eles estão em
Cauquenes, e a família produz vinho à granel desde a década de setenta.
As vinhas de agora tem cerca de 12 anos. Uh Lalá.

Chegamos
aqui em Colchagua, no vale de Almahue, terra conhecida pelas antigas
rodas de água distribuídas por todo o povoado. E vinhos, claro.

Esse é Felipe Uribe, do Andes Plateau, que faz os vinhos 700+. Os vinhos chegam no Brasil pela importadora Dominio Cassis.

Totalmente artesanal, o vinho é feito em pisa pés e depois descansa em
barricas e barris de madeira, mais ou menos jovem. A propriedade é uma antiga fazenda patronal de mais de 300 anos.

Os vinhedos estão na parte central do Chile e também ao Norte – de onde
vem a Carignan dele, por exemplo, com acidez rascante do alto dos seus
1800 metros de altura.

As outras uvas são Cabernet, Franc,
Malbec e Syrah. Ele colhe as uvas mais cedo do que o habitual ( amanhã
vai começar a vindima ) pois gosta dos vinhos mais frescos e ácidos.
Mesmo colhendo antes, o clima chileno já dá uvas com muita cor é muito
álcool – seus vinhos chegam a 14 graus naturalmente.

Pra quem
acha que no Chile, pelo clima abençoado, “tudo é vinho natural”, se
engana. Os vinhedos, na maior parte são convencionais ( embora o cultivo
orgânico seja bem mais fácil por conta das condições climáticas ) e os
insumos e técnicas enológicas correm soltas. Exemplo? A grande maioria
das bodegas colhe as uvas mais tarde para ter uvas muito concentradas,
mas depois acaba corrigindo a acidez do vinho com ácido tartárico e o
álcool com.. Água. Pois é, diluição. 

 

Velado,
Bodegas Re, e Isidora no fundo! Ela é uma das filhas de Felipe Uribe,
que nos recebeu hoje em sua casa com vinhos maravilhosos de boas vindas
ao Chile.

Esse é um Bodegas Re, da família Morandé, feitas
“bajo velo”, ou seja, com flor, como se fosse um Jura ou um Jerez. Um
epetáculo. Já tenho um carinho imenso pela família pois comecei no vinho
trabalhando com eles- e ver vinhos assim me deixam feliz da vida. 

Botella número 10.

Não tínhamos ideia do que seja, mas achávamos ser um vinho bastante antigo. Descobrimos que era um Cabernet de mais de 40 anos, que o Felipe tinha guardado. 

Felipe
Uribe fatiando umas morcillas e uns chorizos…. E seu vinho, Andes
Plateau 700. Esse aqui é a safra nova, 2014. A que temos na Enoteca é a
2013 a igualmente fantástica, mas totalmente diferente. De Cabernet,
Franc, Syrah e Carignan de altura ( de onde vem a acidez ) é daqueles
vinhos de não passar impune. 

 

 

 Chile sendo Chile: Carmenéres e cordilheiras.
 

Pipas antiquíssimas de madeira chilena, o Raulí.

É com essa madeira que muitas vezes se faziam os pipeños ( Pipeño, vinho de pipa ) tradicionais do Chile, com uva País.

Hoje está havendo um resgate tanto do uso da Madeira Raulí quanto da
uva País. Muitos dos vinhateiros naturebas usam, com resultados
fenomenais.

No Brasil, alguns
vinhos de País do Louis Antoine Luyt, Cacique Maravilla e Huaso de
Sauzal já fazem bastante sucesso. Quem esteve na última Feira de Vinhos
Naturebas da Enoteca também pode provar um País feito por Juan Ledesma,
em Raulí.

Eu particularmente sou fã do estilo Pipeño natureba. São alguns dos vinhos que mais bebo no dia a dia.  

 

Carmenére! Delicia de uva, pena que muita gente faz muito vinho ruim com ela.

Já virou até piada quando falamos de padronização de gosto dos vinhos: “ah, tipo carmenére chileno, é tudo igual”.

A questão é que não é a uva que deixa o vinho tudo igual. É o homem, e
essa necessidade besta de querer padronizar o vinho num gosto “mundial” e
comercial. Taí. A maioria dos degustadores não consegue mais chegar perto dessa uva. Eu mesma passo longe da maioria.

Mas a uva por si mesma é uma delicia. Pode dar um toque mais verde aqui
ou acolá, tem uma personalidade forte, e graças a deossss que tem
gente vinificando ela de maneira legal. Tomar um carmenére de levedura
indígena é outro papo. Natural, então, jesuis. Arrepia.

Um
pouco de história: Claude Gay, francês, foi o responsável, entre
outros, lá em 1800 e tanto, por trazer as uvas francesas que aportaram
em solo Chileno. Isso deu impulso para início da grande atividade
vitivinícola comercial no país . Casas já tradicionais da época ( e que
estão aqui até hoje ) como Carmen, Errazuriz, San Pedro, Cousiño Macul,
Concha y Toro investiram pesado na importação de mudas, não de obra,
tecnologia francesa. Bienvenidas Cabernet, Merlot, Sauvignon,
Chardonnays.

Nesse momento a viticultura, que já era a
principal atividade agrícola no momento, se transformou de produções
artesanais e familiares para a atividade comercial de maior importância.

Foi nesse vai e vem de uva das Oropa pra cá que algumas mudas
de Carmenére chegaram no Chile. Mas ninguém sabia o que era, pois
vieram no meio das Merlots.

Todo mundo achava que era uma
Merlot meio “estranha”, e foram descobrir que eram Carmenéres só na
década de noventa. Juntou a fome com a vontade de comer: rapidinho ela
virou uma das uvas símbolo do país. 

 

Bodega onde se fazem os vinhos de Felipe Uribe, o 700+. Uma propriedade de mais de 300 anos.

23/3/2016
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