Divagações, Vinhos

Diário biodinâmico por Marina Santos: O Outono

( Caso queira saber mais sobre o assunto antes de acompanhar o diário, veja esse post no blog sobre Vinhos Biodinâmicos )

Marina Santos é vinhateira brazuca, natureba, nossa amiga e uma das pessoas mais militantes que conheço no tema dos vinhos biodinâmicos do país. 

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Pinto Bandeira, 30 de Setembro de 2016

No cotidiano de trabalho de um viticultor biodinâmico, você já percebe que ele entende sobre a fisiologia da videira, mas ele compreende também os fatores cósmicos … Muita calma, eu explico!!! Esses fatores, nada mais são do entender que plantas vivem entrem duas polaridades:

Terrestre: umidade e nutrientes (solo-raiz)

Cósmica: luz e calor (que vem do cosmos – sol = caule, folhas e frutos)

Estas polaridades são determinantes para as plantas, embora agente não perceba na mesma sintonia delas. E aqui entra uma questão importante, estamos falando de astronomia pura (atenção, não é astrologia).

Para ajudar nesta compreensão, o produtor biodinâmico utiliza o calendário biodinâmico, que é baseado no movimento da Lua em relação à Terra e seus ciclos siderais. Este ritmo sideral,  é o ciclo de 28 dias em que a lua se movimenta ao redor da Terra, passando pelas constelações e em cada um destes dias a lua vai exercer um tipo diferente de influencia  sobre  as principais partes da planta. O produtor vai utiliza lo sempre pensando sobre qual a parte da planta quer focar como produto fina,l direcionando ou para raíz, folha, flor ou fruto.

No caso da videira, que tem um ciclo longo e bem distinto cada manejo é por época (enxertia, poda, brotação, floração, colheita e pós colheita, etc), mas sempre pensando no produto final – a uva. Ou seja, o calendário vai ajudar a entender o período ideal para realizar as atividades agrícolas na propriedade e no vinhedo.

Outono biodinâmico:

No outono, após os tratamentos biodinâmicos de pós colheita (501 + Fladen), é feita a semeadura das plantas de cobertura, ou para quem prefere,  é deixado vir as plantas de cobertura espontâneas, que vão proteger o solo durante o inverno e primavera.

No outono também é elaborado o preparado 500 ou chifre esterco, é um preparado de campo que vai ser pulverizado diretamente no solo ou nas plantas. É utilizado chifre de vaca (não pode ser de boi – mas é uma longa história, não cabe aqui explicar neste curto diário de campo) e esterco fresco de vaca (também só de vaca) que só se alimente de pasto.

Os chifres serão enchidos de esterco e enterrados,  e ficarão no solo até a primavera quando serão colhidos. O conteúdo do chifre será uma terra cheirosa e escura. Depois de pronto ele é  usado no final do outono e durante o inverno, dinamizado (num barril com água e algumas gramas do preparado, mexendo por uma hora no sentido horário e quebrando  este espiral de água, para lado oposto), vamos literalmente acordar o preparado que passou o outono enterrado captando suas energias e que agora servirá para desenvolver os aspectos vitais vegetativos de crescimento, de germinação de sementes, além de estimular a microbiota do solo e o desenvolvimento radicular. Estamos acordando a terra literalmente!

Marina Santos

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Insta: @marina_vinhaunna

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30/9/2016
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