Divagações, Receitas & Ingredientes

Dirty Chai Latte & síncope de lactose

Domingão, dia de tentar aterrizar de vez em solo tupiniquim. Dia de ficar em casa, cuidar da horta, cuidar dos bichos, colocar os 432 projetos pendentes no papel, organizar a bagunça da casa e da cabeça e voltar a ter 5 anos de idade pra brincar o dia inteiro com as cabras e beber leite fresco até o corpo ter uma síncope de lactose. Se não é da minha cabra ou de algum bicho muito bem tratado de algum amigo, e cru, lógico, não bebo leite fresco. Faz tempo. Mesmo porque leite de caixinha ou garrafinha não é leite, é um produto industrializado feito a partir de leite de vacas pra lá de maltratadas e doentes, na sua maioria, e faz mais mal do que bem pra saúde. Aliás, não é novidade. A gente não precisa beber leite depois que desmama – até mesmo porque o corpo vai perdendo a capacidade de digerir a lactose. Por isso que sempre se bebeu muito pouco leite, e se consumia muito eram os fermentados de leite: kefirz, iogurte, queijos, coalhadas. Até mesmo porque essas eram maneiras de se conservar o leite fresco, e deixar o produto mais digesto. Fermentado, a lactose se transforma e a gente consegue digerir e assimilar muito melhor. Leite de cabra e de búfala também são mais leves e digestos que o de vaca, e a humanidade só começou nessa loucura de tomar leite de vaca todo dia por conta de manobra da indústria. Pois não, nem para ajudar com o cálcio o leite ( principalmente os industrializados) ajudam – pelo contrário, pode até causar mais deficiência. Quem tiver interesse depois pesquisa um pouco. 

Eu, que já tenho no meu universo de indulgências pessoais coisas muito mais estranhas do que pote de sorvete ou caixa de bis, tenho como uma delas o leite fresco. Quando começamos a ordenhar é um clássico o primeiro litro ficar pra mim. Sim, o litro inteiro, não quero nem saber. Daí é pra afogar a vontade mesmo. Gelado, direto da cabra, espumando, com cúrcuma, com mel, com café, com cacau, com gengibre. Passado o furor leiteiro, volto a consumir só de vez em quando, pois mesmo os derivados animais, ainda sim só dos bichos bem criados ( leia-se soltos, em ambiente próximo ao natural, com dieta próxima ao natural ) ando consumindo bastante pouco – queijo, manteiga, ovos. Por nenhum motivo que não seja o fato de na maioria das vezes eu preferir um brócolis a um pedaço de queijo. Ok, pode parecer estranho, não pretendo deixar de comer queijo, mas é assim que acontece é pronto. Vejo uma couve, uma acelga, uma cenoura, e já saio saltitando. Talvez com a convivência eu esteja mesmo virando uma cabra, no final das contas……. hahaha …. mas a lenga lenga desse texto inteiro era pra passar uma receita que vi em uma das cafeterias lá em Lisboa, que esquentou meu coraçãozinho brazuca na primeira tarde nas Oropa: um dirty chai latte. Um leite batido com chai ( misturinha indiana de especiarias bem das viciantes, que com leite se chama chai latte ), mas com uma dose de café por cima. Jesus. Pra virar uma cabra saltitante e ainda aditivada na cafeína. Vai pro brunch do próximo sábado, certeza…….

21/6/2018
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