Divagações, Vinhos

Eduardo Zenker : camapnha colaborativa no ar!

Gente! O site de financiamento colaborativo para Zenker continuar fazendo vinhos livres já está no ar!

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Funciona assim: você compra cotas do estoque apreendido dele, e se os vinhos forem liberados, você recebe as garrafas. Uhu. Se não, esse dinheiro contará como doação para que ele comece uma estrutura do zero, que não só vai garantir a produção dele dentro dos parâmetros legais, como vai permitir que outros vinhateiros vinifiquem no local, acelerando o processo de regularização de mais pequenos vinhateiros artesanais. Mais uhu ainda! Ahn? Não sabe da história? Quer se informar? Segue história.

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O “caso” Zenker: 

Como todos sabem, a polícia fechou as portas da vinicola Arte da Vinha, de Eduardo Zenker, a algumas semanas. O que aconteceu com ele no fundo só mostra a real situação do produtor artesanal brasileiro: o dilema entre continuar artesanal e ser clandestino ou deixar de ser artesanal e se regularizar. Sim, pois a grosso modo é isso que acontece hoje em dia. Não existe lugar nas legislações para um pequeno produtor de vinho natural se regulamentar. Portanto, grande parte vive a vida na ilegalidade, sem poder comercializar oficialmente seus vinhos, enquanto lutam por mudanças ou adaptações nas legislações e normas de regulamentação. Sabemos que isso – regulamentação ou mudanças nela – no nosso país leva tempo, trabalho, requer muita influência, paciência e até alguma sorte. Até mesmo pessoas que se encaixam nas normativas tem dificuldade de estar 100% regularizadas. Imaginem então os produtores artesanais que nunca se encaixarão nessas normas. Pois é. Isso já aconteceu com o queijo de leite cru, com produtos de sangue animal, com o café. As legislações foram formularas em certa época para abranger a indústria de larga escala – mas a maior parte da tradição alimentar brasileira nunca foi de larga escala. E todos os produtos e métodos e agricultores tradicionais ficaram “orfãos”, sem se encaixar em nenhum tipo de legislação plausível. O vinho é só mais um desses produtos órfãos no Brasil.

O grande dilema dos pequenos produtores artesanais de vinho é continuar fazendo seu trabalho e sua paixão de vida ( o vinho ), mesmo de maneira clandestina – ou se adaptar a normas e regras que mudariam completamente suas convicções, modo de vinificar e o tirariam do status de garagista, natural e artesanal. Sim, pelas regulamentações de hoje você pode produzir seu vinho na sua garagem – mas você não pode vender. E daí como fazem os produtores? Bebem? Doam? Fazem meio período outro trabalho? Gente, bom vinho artesanal requer 30 horas diárias de dedicação. Não dá pra ser só um hobby.

Por isso mesmo a indignação geral do público consumidor, sommeliers, jornalistas e gente ligada ao meio do vinho com o que aconteceu essa semana. A denúncia foi feita por gente do meio do vinho, afinal, Zenker não estava “apto” para vender suas garrafas, por não ter ainda toda a papelada exigida para comércio de vinhos no Brasil. Sim, ele não tinha. Assim como a maioria dos produtores artesanais brasileiros, que luta por um espaço na legislação. Eles não pagam impostos pois querem levar vantagem – eles não pagam pois na conseguem se encaixar nas normas sanitárias ou tributárias, pois nossa legislação entende que uma produção de 200 garrafas é igual a uma de 200mil. Meio que comparar as exigências sanitárias da cozinha da minha casa ou do MacDonalds. Pois bem. Zenker estava errado aos olhos da lei. Assim como todos que fizeram história na Serra Gaúcha, que começaram seu trabalho vendendo vinhos sem nota fiscal para poder sobreviver num país que não incentiva o consumo ou a produção de vinho.

A denúncia foi feita por gente do meio do vinho, afinal, Zenker não estava “apto” para vender suas garrafas, por não ter ainda toda a papelada exigida para comércio de vinhos no Brasil. Sim, ele não tinha. Assim como a maioria dos produtores artesanais brasileiros, que luta por um espaço na legislação. Eles não pagam impostos ou não tem regulamentação ou não tem a empresa ou não o que seja pois querem levar vantagem – eles estão nessa situação pois na conseguem se encaixar nas normas sanitárias ou tributárias, pois nossa legislação entende que uma produção de 200 garrafas é igual a uma de 200mil. Meio que comparar as exigências sanitárias da cozinha da minha casa ou do MacDonalds. Pois bem. Zenker estava errado aos olhos da lei. Assim como todos que fizeram história na Serra Gaúcha, que começaram seu trabalho vendendo vinhos sem nota fiscal para poder sobreviver num país que não incentiva o consumo ou a produção de vinho. A polícia então confiscou os estoques de Eduardo Zenker e até mesmo sua reserva técnica. Ele não tem mais o que vender, nem como gerar renda. Ele vive do vinho. E sem vinho, ele não tem outra fonte alternativa. Estima-se que ele perdeu mais de 12000 garrafas, elaboradas desde 2008, que eram sua “poupança” para a vida. Sem contar o trabalho de anos, literalmente jogado fora, e que corre o risco de ser perdido pra sempre caso ele não consiga recuperar essas garrafas. Uma quebra financeira e emocional dessas pode facilmente fazer com que um vinhateiro desista de voltar a produzir – e estamos num ponto onde isso pode acontecer um a um com todos os produtores artesanais e naturais de vinho brasileiro. Eles estão a anos lutando para formar associações, cooperativas, ter representatividade na política – não estão parados, desfrutando de sua fama clandestina. Pelo contrário. A vida para esses produtores, assim como para todos os produtores artesanais do país, é muitas vezes ingrata. Não tem incentivos governamentais, não contam com ajuda de financiamentos ou apoios por não se encaixarem nas normas vigentes, e tem que sobreviver à margem do mercado.

Algumas reportagens que sairam sobre o assunto: 

http://www.didu.com.br/…/a-delacao-premiada-chegou-ao-vinho/

http://www.istoedinheiro.com.br/denuncia-leva-interdicao-dos-vinhos-de-eduardo-zenker/#.WULMeIIJ50A.facebook

Entusiastas se mobilizam em defesa de produtor de vinho natural do RS

Produtor natural do RS tem todos os vinhos apreendidos

21/6/2017
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