Divagações, Vinhos

Diário Biodinâmico

joaninha

 

Estava eu aqui pensando com meus botões – e por mais que a gente tente dar o máximo de informação, muita gente ainda confunde as coisas quando falamos de vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais. 

Como sempre digo, resumindo bem toscamente, temos a parte do cultivo – que pode ser orgânico, biodinâmico, convencional. E a parte da elaboração do vinho, na adega – que pode ser orgânica, biodinâmico, convencional… e natural.

_______________________________
Para ser um vinho natural, você tem que partir de cultivo orgânico ou biodinâmico. Então vamos falar um pouquinho sobre isso. 
________________________________

Cultivo orgânico basicamente é cultivar produtos agrícolas sem veneno ou adubos sintéticos – usando somente insumos orgânicos. Mas e o cultivo biodinâmico? Muita gente torce o nariz, acha que é mais mística que prática, ou então que você precisa ser um intelectual do ramo para aplicar no seu cultivo. Pois é, não é bem assim. Tem muita gente hoje que tenta elitizar ou fazer da biodinâmica algo inacessível. Pior ainda, transformar a biodinâmica em marketing.

Cultivo biodinâmico nada mais é do que trazer vida e equilíbrio para o solo, planta, meio ambiente. Você não apenas faz o cultivo sem veneno – você auxilia a natureza a se reestabelecer em sua plenitude – ou ao menos tenta. Para isso existem inúmeras maneiras, inúmeros preparados, aplicações, que são feitos durante todo o ano para deixar o solo vivo, as plantas vigorosas, as pragas afastadas, a fotossíntese bombando, e por aí vai.

O que é importante lembrar é que cultivo biodinâmico é um cultivo. E não, não estou usando trocadilhos. Estou usando essa repetição para deixar claro que, assim como o cultivo de qualquer outro legume ou verdura, é um cultivo agrícola. Ou seja, mais uma vez, o trabalho começa na terra. O agricultor biodinâmico é um agricultor, e não apenas um teórico. Não existe biodinâmica só na teoria – pois as mudanças de terreno, plantas, biodiversidade são enormes de um lugar para outro, de país para o outro.

Sim, é isso mesmo que vocês estão pensando: não dá para aplicar ao pé da letra as práticas biodinâmicas como um recorte e cole: “ah, meu amigo produtor na França fez isso então vou fazer igual”. Impossível. E o que acontece é que muita gente acaba encarando dessa maneira, e daí, óbvio, não funciona. E ainda culpam a biodinâmica. Como meu sogro sempre fala, não adianta fazer biodinâmica. Você tem que ser biodinâmico. Ou seja, não dá pra encarar o cultivo biodinâmico como se fosse um pacote de insumos agrícolas, que vai ser replicado em qualquer lugar. Cada vinhedo, cada produtor, cada safra vai precisar de um manejo diferente. Mais sol, menos sol, solo mais compactado, ano mais frio, menos horas de sol, nova uva que foi plantada.

Pensando em como deixar isso mais próximo das pessoas que sempre me perguntam sobre isso, fui pedir ajuda pra quem entende mais do assunto do que eu – a Marina Santos, uma das porta vozes da biodinâmica no Brasil. Muita gente conhece seus vinhos, da Vinha Unna, mas pouca gente tem idéia da profundidade de conhecimento, estudo e dedicação dessa mulher.

Juntas, pensamos numa maneira de passar para vocês os princípios básicos e o dia a dia de um produtor de vinhos biodinâmicos. Faremos um diário de acordo com as estações para mostrar que biodinâmica é complexa mas não é complicada. Qualquer agricultor pode fazer, qualquer pessoa pode entender…. e qualquer um pode beber… rs

9/9/2016
Comente Compartilhe
×
Contato

Rua Professor Atilio Inocenti, 811,
Vila Nova Conceição, São Paulo

11. 3846 03 84

Não aceitamos cartões de crédito e cheque - Recomendamos reservas antecipadas - Mesas acima de 6 pessoas somente com reserva prévia de menu