Viagens

México, primeiro dia: tacos, cidade do México e conexão pra Cancun.

Pois é. Viajando de novo. Mas juro é por uma causa maior: aliás, causa roteiro de filme. 

Fiquei sabendo a uma semana que minha melhor amiga de infância, que conheço a cerca de vinte anos, terminou o relacionamento e estava com tudo arranjado e pago para passar – a dois – o feriadão no México. 

O jeito foi resgatar aquelas milhas das profundezas, tomar o lugar do finado futuro marido e vir encontrar com ela aqui. Bienvenido a Mexico. 

O mais engraçado? Embora todo mundo ache que eu e o Rama só fazemos viajar, provavelmente essa vai ser a única viagem realmente de “férias” minha nesse ano. Sem visitar produtores, sem visitar vinícolas, sem ir pra feiras de vinho. Feriadinho com muito abacate e quizás, algumas tequilas. 

Mããs…. Como roteiro de filme tem que ter alguma emoção, o México já chegou me dando as boas vindas ao estilo novelão. 

Fiz a compra das passagens por uma agência “especializada”. Resgate das milhas, pagamento das taxas, tudo bonitinho, pra conseguir uma tarifa e horários bons numa passagem de última hora, num feriado. O “pobrema” é que simplesmente esqueceram de dizer ( e a anta aqui esqueceu de conferir, mesmo com a pulga atrás da orelha ) que para vuelos con conexión Miami eu precisaria de… Sim! Visto americano. Elementaaaar, caro Watson. E o meu expirou ano passado. 

Resultado? Tive que detonar o limite do cartão que eu já não tinha, converter uns pesos mexicanos para reais com uma cotação jacobina para as taxas de embarque – e morrer com a compra de uma passagem extra ida e volta ( aparentemente você não entra no México com passagem só de ida… Ahahahha… Imaginem eu querendo cruzar a fronteira ilegalmente pros EUA ). 

Desapegando da idéia do dinheiro gasto pra não entrar na pira – ok, respira, toma um café, depois tenta reembolso da outra passagem, essa aqui a gente parcela em 40 vezes e um dia ou outro vai rolar fácil aquele jejum – tudo certo, né? 

Meu vôo original era pras nove da noite de ontem. E consegui uma passagem pras dez e meia. Lindo. De última hora? Perfeito. 

É. Lindo se não tivesse uma conexão de oito horas na cidade do México, antes de descer em Cancun, e que só fui notar depois do bilhete emitido. Acho que ando meio desatenta… rs

Mas tudo bem. Tudo pela amizade! Vamos em frente! Rs… e confesso, imaginar aquele marzão platinado na frente, as ruínas e alguns guacamoles também ajuda a manter o bom humor. 

Bora agora dar um rolê en ciudad de Mexico.

Peguei um busão do aeroporto e vim pro centro histórico da cidade do México. A idéia é ver o Bellas Artes, os painéis de Diego Rivera, a catedral, e mais alguns museus por ali. Na verdade é tanta coisa pra ver nessa cidade que já estou achando que as seis horas por aqui vão ser poucas.

Primeira parada, uma boquinha. Não resisti. As oito da manhã a taqueria do Chucho estava simplesmente lotada: tinha fila na porta pra comer os tacos de canasta ( ou sudados, feitos no vapor, receita típica da cidade do México ). Pra acompanhar, sucos de goiaba, banana, abacaxi e mamey ( cuma? ) batidos com leite e farelo de aveia. Pesadinho? É. Mas parece que no café da manhã isso faz mais sucesso no centrão do que qualquer outra coisa. 

Policiais, engravatados, garotas de programa com sono, donas de casa indo pro mercado e uma freira (!) esperavam ansiosos pelo seu taco chucho. E só eu de turista. Uhu. Adoro. 

Chucho está no mercado desde a década de 30, no mesmo lugar, servindo sua mesma receita de taco de canasta. Cheguei e perguntei o que ele me recomendava provar: foi categórico. Taco de Chicharrón e taco de mole verde. Pra acompanhar, leite batido com aveia e mamey. Ok, falou tá falado.

Sou tarada por cozinha mexicana, embora conheça muito pouco. Espero aprender mais por aqui. 

Chicharrón é um preparado de carne de porco e “torresmo”, na banha do mesmo porco, tomate, temperos e chili verde. Mole verde é um molho consistente ( fiquei fã ) feito com sementes de Abobóra, Chile verde, talos de cebola, salsinha…. basicamente tudo que pode dar uma cor verde pro negócio. É tudo refogado em banha, azeite ou manteiga. E com eles você recheia o taco. 
Os tacos, tortillazitas macias de milho ( ele se orgulhou de dizer que eram do quintal da família ), estavam divinos. Na barra do bar, bacias de plástico com chili verde picado e guacamole. Muito guacamole. Tipo a gente tem ketchup e mostarda na padoca, eles têm guacamole e chili verde. Sou bem mais esses últimos. 

Me afoguei nos tacos sudadinhos e pra lá de picantes ( o povo não brinca com pimenta aqui ) e no batidão de leite com mamey. Que, a propósito, continuo sem saber o que é… Rs

Praticamente 24 horas depois de sair de Sampa, Uhu! Cheguei em Cancun. 

Isso sem antes dar problema no chip do cartão e eu percorrer um quilômetro pra ir e outro pra voltar, mochilão nas costas, da oficina do aluguel de carros até o aeroporto – duas vezes. No sol. Pois a empresa estava sem a van pra trasladar os clientes! Gente, que começo de viagem mais socada! 

Mas tudo bem! Deu certo! Rsss… 

Como minha amiga chega só as dez da noite, peguei o carro pra dar uma volta na cidade. Não ficaremos em Cancun ( eu acho meio over, na verdade.. ), vamos direto pra Tulum assim que ela chegar, depois Isla Holboch. 

…. e meu dia em Cancun foi atípico: nada de praia. Fui atrás de mercados, feiras livres, mercados de pulga e comidas de rua. 

Mercado 23 e mercado 28 são os principais mercados “tem de tudo”. O mercado 23 é mais simples, frequentado por pessoas da região, bem mais autêntico. O mercado 28 é ótimo, mas mais caro e bastante “pesca turista”. O bom é que hoje Cancun estava vazio, quase sem turista, e se você chega sendo simpático, educado e mandando razoavelmente bem no espanhol você converte o vendedor, de um potencial explorador de turistas, em seu amigo íntimo. Como em qualquer lugar do mundo, educação rompe qualquer barreira. 

Nessa pracinha, achei umas mulheres que viajam 18 horas até Cancun pra vender suas roupas feitas à mão, pelas mulheres mais velhas da comunidade indígena que elas vivem. Falo comunidade indígena pois não sei o que falar – mas são povos mais fechados com costumes e tradições bem próprias. Quase não consegui entender o que elas diziam pois falavam um dialeto próprio – mesmo assim deu pra arrematar uma roupitcha pra sobrinha. 

Tarde gulosa nos mercados de rua de Cancun. Parei numa das barraquinhas de uma família simpática e me deixei empanturrar de delícias. ” oi, eu não sou daqui. O que você acha que seria legal eu comer pra conhecer mais a gastronomia local?” Pronto. Desceram primeiro as sopes. Que eu achava, bobinha, que eram sopas. Mas não. Eram tortillazitas feitas com milho fresco e farinha grossa, moldadas na hora, feitas em banha de porco. Por cima, pasta de feijões, abacate ( sabia que 1 de cada 3 abacates comidos no mundo vem do México?! O dono da barraca que me confidenciou ), alface e carne de porco e de vaca moída, com muita pimenta. Queijo fresco branco ralado e creme de leite fresco. Ui. 

Logo depois vieram as enchilladas de frango com mole verde ( ainn, tô muito fã do mole verde ) e mais Chile picante.
Despues, tacos de cerdo com guacamole. Porco refogadinho com tomate, temperos, muita pimenta e guacamole. De pirar.

Pra beber.. Água de Papaya! Achei que fosse um drink mirabolante, mas descobri que água, pra eles, é suco de frutas batido com água. Existe a versão com leite, também, mas daí não se chama água…. O melhor de tudo: custo de 4 porções, um suco…. 45 pesos. No aeroporto um taco solito estava 230. Mar o meno 18 pesos são 1 dólar. 

O taco sudado de hoje no café da manhã foi a bagatela de 8 pesos. 

Dolores, sua vizinha de barraca e a luz do fim de tarde no mercado, que estava mais do que poética. Também, depois de tantos tacos, enchilladas, flautas, sopes, guacamoles e chilis, não tinha como não ser poético. 

E enquanto minha amiga não chega, eu como! Rs 

Lugarzinho “feio” pra encerrar na noite. Depois de todos os meus passeios por Cancun, ainda faltavam algumas horinhas pra buscar minha amiga no aeroporto. Fui de curiosa passando pela área hoteleira quando vi esse lugar absurdo de lindo. Parei, comi um ceviche verde, duas taças de vinho ( espanhol, tá difícil encontrar vinho mexicano nos picos por aqui ) e de quebra ainda bati um puta papo com o garçom sobre a produção de vinho no país. Deve ser lindo no por do sol. É a comida é uma delícia.

4/5/2016
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