Vinhos

ROBERT KLINGENFUS: Vinhos excelentes, conceito mais ainda….

Hoje  eu tive o prazer de conhecer Robert Klingenfus. Enólogo,
viticultor e proprietário de cerca de 30 hectares na Ausace. Figura simpática,
terna, carismática e ….. inteligentíssima. Grande pessoa. Quem tiver a oportunidade de
conhecer os vinhos, ou ao menos, a historia de Robert, vale a pena. É uma
daquelas pessoas que so de abrir a boca já te ensina mais do que muito
pseudo-curso de vinho por ai.
Sua família tem uma historia
muito louca e muito bonita. Uma parte da família fez fortuna fazendo sapatos de
couro com um pingentinho na ponta, na Época Medieval ( é, aqueles mesmos que
vemos nos filmes…. ) durante mais de 300 anos. Outra parte da família, judia,
era de ourives. Em uma das revoluções sociais as famílias foram dizimadas e o
que restou foi passar na Suíça – fazendo vinho. Ele é a décima nova geração de
vinhateiros fazendo vinho. Aprendeu com o pai. Que aprendeu com o pai. Que
aprendeu com o pai. O sobrenome dele, inclusive, quer dizer “chocalho em cima
do sapato”…. claro.
 
 
Ele se classifica como
agricultura integrada. Não como orgânico, não como biodinâmico, não como
natural. Ele acha que alguma pessoas são, alem de radicais, pouco instruídas, e
acabam, por falta de conhecimento e abuso de radicalismos, fazendo vinhos
puros, mas ruins. O objetivo dele é fazer, através do resgate de conhecimentos
“ancestrais” e de conhecimentos enologicos técnicos, fazer um vinho puro… e
bom. Sem defeitos.
 
 
Já ouvi muito esse tipo de
discurso, e dai entramos em um ponto delicado. Como eu disse, nem todo natural
é bom e nem todo convencional é ruim. Mas o que ele propõe é muito
interessante. É não tirar o vinho de seu âmbito temporal. É enquadrar o “fazer”
do vinho na sua época, dentro dos conhecimentos existentes hoje de enologia,
mas sem esquecer – importantíssimo, sem esquecer nunca – os conhecimentos
ancestrais ligados as forcas da natureza. Assim, é possível, através do
conhecimento atual e do conhecimento passado, fazer um vinho puro, autentico,
sincero e excelente.
 
 
A julgar pelos vinhos que provei,
ele esta conseguindo….rs.
Como tudo nessa vida é uma
questão de aprendizagem, aprendi mais uma. Vitivinicultura integrada. A
“verdadeira” vitivinicultura
Raisonné. E pasme. É certificada.  Um braço da ECOCERT, quem certifica a agricultura integrada é
a ECOTEST. As regras passam desde o uso de tratamentos fitoterápicos a não
utilização de trabalho infantil.
 
 
Alem disso, Robert
aplica o que podemos chamar de um conhecimento amplo da dinâmica energética do
vinhedo. Complicado? Nem tanto. É um biodinamismo sem selo e sem cartilha. Ele
observa, cuida, segue os fluxos energéticos e os calendários lunares, alem de
fazer com que as vinhas estejam em constante equilíbrio com o meio, para que
cresçam saudáveis e produzam uvas sãs. O solo não é tratado com herbicidas, nem
pesticidas ou agrotóxicos, por isso se mantém aerado e cheio de vida; esta,
responsável pela riqueza e “alimentação” dele mesmo. Um solo vivo vai dar todos
os nutrientes que a videira precisa. As raízes, por sua vez, vão penetrar mais
fundo e, desta maneira, transmitir uma verdadeira autenticidade de terroir.
 
 
Ele também foi
certificado com o HVE, ou “Haute Valeur Environnementale “. Falei dele
no post passado.
Bom, mas vamos aos vinhos.
Quando começamos o papo, ele
preferiu iniciar com a degustação. Adorei. Pensei comigo mesma: “ ahnnn rann,
sinal de que os vinhos falam por eles mesmos, já gostei “. E estava certa.
Mesmo você não sabendo de nada dos bastidores ( o que eu acho fundamental, mas enfim….
), o vinho realmente fala por ele mesmo.
 
 
Provamos um Riesling, um
Gewustraminer e um Pinot Blanc.  De
inicio, achei que iríamos experimentar primeiro o Pinot Blanc, depois o Gewus,
depois o Riesling. Nope. Primeiro o Riesling, depois o Gewus e depois o Pinot
Blanc. Era um Grand Cru.
Todos os vinhos eram excelentes,
para inicio de conversa. Sérios, complexos, cheios de acidez e profundidade. O
Riesling era frutado, leve, e extremamente seco na boca. O Gewus, explodia em
flores e creme nívea clássico, gordo e untuoso na boca…. e também
extremamente seco. Tipo do vinho que da um no na cabeça. O Pinot Blanc – Jesus
amado, o que era aquilo? – era algo espetacular. Tinha queijo, tinha musgo,
tinha flor, tinha decomposição, tinha frescor, tinha…. tudo. Nota mil.
Robert veio para o Brasil para
divulgar seus vinhos para importadores. Eu mesma estou interessada em trazer,
mas de qualquer maneira, minhas importações são super pequenas, praticamente
para atender a Enoteca. Portanto, estou aquifazendo a maior propaganda pois
esses vinhos merecem estar no Brasil.
Quando perguntamos sobre a velha
questão dos vinhos brancos e o baixo consumo no mercado brasileiro, ele nos
respondeu: vocês tem 5000 quilometros de costa. Um dia o Brasil vai perceber
que tem o clima ideal para o consumo de vinhos brancos.
Genial….rs
Os seus vinhos estão em vários
países, principalmente na Ásia. Não sei se é por esse motivo ou não, mas
imagino que eles saibam que esse tipo de vinhos combina perfeitamente bem com
as culinárias asiáticas.
Salut!

 

22/5/2013
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