Divagações

SEGUNDO DIA NA GRECIA – ATHENAS DO TURISTAS

 
Segundo dia em terra sagrada, fui fazer aquele city tourzinho básico que todo bom turista que se preze faz. Fui junto com um grupo de mais 20 pessoas em um ônibus muito constrangedor, escrito em caracteres gregos bem grandes do lado de fora “ excurciones en espanol “ ! Risadas a parte, fomos visitar alguns templos em Athenas e depois subimos em direção a Acrópoles. Mas o que era para ser um passeio agradável virou um filme de terror no deserto. Milhões de japoneses com suas maquinas, alemães tostados de sol, americanos falando alto e um sol de esborrachar mamona na testa. Não existem arvores na acrópole. E também não existem vendinhas de água.

Resultado, o clima estava tão ruim que não conseguimos aproveitar nada. Todo o clima da antiguidade, dos deuses e da mitologia foi por água a baixo com aquela mundeira de gente se apertando para tirar foto com as colunas do Pantheon. Um saco.

Fora que, como eu disse, eu sou uma pessoa chata. Quer me tirar do serio, me faz passar calor. Nasci com a pressão baixa. 9 por 6. É, eu vivo no limite do desmaio. Imagina no calor, então. Fico vendo pontinhos pretos na minha frente, o sono me domina, fico zonza e minhas mãos incham. Inferno!! Imagine isso então com um monte de americano falando no seu ouvido! Sai da Acrópoles possuída.

 
Mas nada tão bom para curar um mau humor e uma pressão baixa do que…. bebida, claro. Fomos novamente para Plaka, e assim, do nada, quando vimos, estávamos de frente para algo que parecia um barzao antigo, ou uma farmácia, ou uma antiga venda. Quando entramos – por sorte – descobrimos que estávamos nada mais nada menos do que na mais antiga destilaria da Europa, a Brettos.

Com mais de 100 anos de funcionamento, no mesmo lugar, ela produz vários tipos de destilados e de licores típicos gregos – dente eles o Mastika, que citei aqui antes.

Mas, para mim, o mais interessante disso tudo é que a pequena destilaria – que parecia mesmo um misto de farmácia, com vidros coloridos, e um bar de vinhos de jerez, com suas barricas – ainda funcionava um wine bar com nada mais nada menos que 600 rotulos! Sendo que uma boa metade disso você podia degustar em taca.

 

Não deu outra.  Era onze da manha e abrimos os trabalhos com duas belas tacas de vinho branco. A primeira  era um corte de Semillon e Assyrtiko, 50% e 50%,  da Bíblia Chora Estate.  Chamado Obilos. Garrafona preta, linda. Delicia de vinho. Bem fresco, bem cítrico. O vinho é da Macedônia, e não passa por afinação e nem filtragem. A acidez era bem pungente, pedia uma comidinha.  O outro era um Viognier bem feitissimo, o Eclectique, vinho regional de Argolis, da SKouras. Foi o meu preferido. Floral, carnudo, com frutas brancas na boca, uma ervinha, bem mineral. Meu tipo de vinho. Passagem de 12 meses por barrica francesa, fermentação em carvalho e malolatica completa. Foi meu inicio de dia perfeito.

 
Como tudo nessa vida sempre é perfeito, a senhora que nos atendeu na destilaria e wine bar nos indicou a taverna do mesmo proprietário, que tinha também o mesmo nome. Comida simples, para nossos clientes gragos, disse ela. Nos convenceu na hora.

A poucos passos da destilaria estava a taverna. Bem no centro turístico, mas um pouco mais escondido do publico. Como já era tarde, fomos os últimos a sair do pequeno restaurante. Um simpático garcon nos atendeu e teve a enorme paciência de nos tentar a ensinar algumas palavras em grego. Consegui, depois de muito esforço, assimilar como se falava obrigado em grego. Algo como “ efi – harech – to “. Mas confesso, foi difícil.

Ali, naquela taverna, descobrimos algumas similaridades meio obvias entre algumas culinárias. Os gregos também tem suas mezzes, como os árabes, que são pequenas porções de coisinhas gostosas para petiscar em grupo. Ou seja, na linguagem espanhola, seriam as tapas.

 
Bem, pedimos então algumas “tapas” gregas. Camarões gigantes fritos, lulas bebes empanadas, mini bruschettinhas de anchovas brancas marinadas, pimentas verdes recheadas com queijo feta, salada grega,  pasta de beringela, purê de favas com trufas, tzatziki ( minha nova paixão ) e bolinhos de carne. Ufa! Claro que não conseguimos comer nem a metade disso, e saímos de la direto para a siesta no hotel.

Tomamos outro vinho da Bíblia Chora Estate, branco, dessa vez 50% Sauvignon Blanc e 50% Assyrtiko. Gostei mais do Obilos, me pareceu “mais vinho”. Mas esse também era bem gostoso, e acompanhou as mezzes com perfeição, enquanto ainda nos refrescava do calor de trinta e tantos graus de Athenas.

Alias, breve momento de cultura. A historia da cidade de Athenas é linda. Segundo o mito, a deusa Athena, “padroeira” da cidade de Athenas, deu de presente para a cidade uma oliveira. Poético, não? Acho que ela já sabia que ali as oliveiras iam se dar muito bem, mesmo Eita povo que tem uma azeitona boa! Azeitona, e por conseguinte, azeite.

De qualquer forma, depois desse banquete “mítico” , não conseguimos sair da cama do hotel.  A siesta foi longa. E não, não é o que vocês estão pensando. Dormimos mesmo. Dormimos a tarde inteira, feito duas sucuris depois de comer um boi inteiro.

Mas depois de acordar, claro que deu fome. Então voltamos a Plaka para nossa peregrinação atrás de restaurantes. Dessa vez, nos aventuramos mais ao leste da cidade, e descobrimos uma serie de vielinhas com ruas estreitas e escadarias, cheias de tavernas e restaurantes, cada um mais encantador do que o outro. Para nos brindar, tinha uma lua imensa e amarela no céu, pedindo pelo amor de deus para jantarmos ao ar livre. Mas o problema é que no nosso caso, a gula era maior do que a fome. Fome, para dizer a verdade, quase não existia. Então fizemos o que todo o guloso sempre faz. Pedimos somente uma “coisinha” para beliscar…. e claro, um vinho.

Como disse anteriormente, minha nova paixão nacional é o Tzatziki. Grosseiramente, é o iogurte grego com pepino ralado e muito alho. Alguns temperam com sal e zatar, outros colocam cebola, mas a receita básica é sempre a mesma.

Sentamos numa taverninha pequena, que ficava ( sim ! ) numa escada. As mesas ficavam pela escadaria inteira, cada uma num degrau. Lindas. Luz de velas e garçons que arranhavam um inglês entre o tosco e o charmoso.

Já que era pra comer “ so uma coisinha”, pedi direto o Tzatziki. Leve, refrescante, para tomar com um vinho branco. Quando pedi o Tzatziki, entretanto, o garcon me olhou de uma maneira muito esquisita e disse : mas você vai comer so o tzatziki? Nos aqui na Grécia comemos o Tzatziki com ********* “. E disse uma palavra que eu ate agora não sei o que era.

Para não contrariar o moco, mesmo porque ele devia saber muito mais do que eu sobre a gastronomia local, apenas disse “ Yes!”.  E seja o que deus quiser.

E como, de novo, tudo nessa vida é perfeito e da maneira que tem que ser, aquela palavra impronunciável significava “ palitos de abobrinha fritos e crocantes, temperados com pimenta”.  Urru! Na mosca.  Tzatziki com palitinhos de abobrinha! Talvez uma dos melhores petiscos que eu já tenha comido na vida.

 

Para acompanhar a comidinha modesta, fomos bastante impertinentes no vinho, Pedimos o vinho branco mais caro da carta, o Magic Mountain, de Niko Lazaridi. Alias, que é um excelente produtor. O vinho é feito de 100% Sauvignon Blanc, estagia em barricas por seis meses e é um vinho regional de Drama. Leve,  equilibrado, bastante mineral, muitas ervas aromática no nariz, uma perinha verde. Impressionante como nenhum vinho grego me decepcionou. Alias, pelo contrario. Eles me surpreenderam muito.

 
Para arrematar a noite, tomei mais uma dosesinha de Mastika ( so pra ajudar na digestão, claro…. ) enquanto dois velhinhos muito simpáticos entoavam, sob a lua,  musicas gregas em um dos degraus da escada.

22/9/2011
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